quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Lamborghini

 Tudo começou por causa de uma resposta grosseira e malcriada. O fabricante de tratores agrícolas, ar condicionado e calefação, Ferruccio Lamborghini tinha uma Ferrari 250 GT que sofria de problemas crônicos de embreagem. Um dia, reclamou do defeito diretamente com o comendador Enzo Ferrari e foi destratado. “Você não entende nada de carros. Vá dirigir tratores!” teria respondido grosseiramente o fundador da Ferrari. Sentindo-se ofendido ele respondeu: “Eu criarei uma marca melhor que a sua!”. Ferruccio não se deu por vencido. Conta a história que ele consertou a Ferrari de uma vez por todas, usando uma embreagem de trator. Mais do que isso: resolveu fabricar automóveis superesportivos que não descem dores de cabeça e fossem mais dóceis com seus proprietários. Foi então que fundou, no dia 30 de outubro de 1963, a FERRUCCIO LAMBORGHINI AUTOMOBILI. Para sua vingança estar completa, montou sua nova empresa na cidade de Sant’Agata Bolognese, localizada à apenas 17 quilômetros de Modena, sede da montadora Ferrari, e próximo a Bolonha, sede da tradicional Maserati.
O primeiro protótipo da nova montadora foi o 350 GTV (Gran Turismo Veloce), que tinha um motor V12 de 3.5 litros e 360 cv, alcançando 280 km/h, acelerando de 0 a 100 km/h em apenas 6.7 segundos, que fez sua estréia no Salão do Automóvel de Turim. No ano seguinte, o modelo de produção, batizado de 350GT, foi revelado no Salão de Genebra. O carro vinha equipado com um motor V12 de 280 cv de potência, com suspensão independente, câmbio de 5 marchas e freios a disco. Em 1965 a fábrica construía um interessante chassi, chamado de P400 que fez muito sucesso no Salão de Turim do mesmo ano. No inverno, Ferruccio encomendou a Bertone uma carroceria para o modelo. Nascia um dos mais belos automóveis esportivos feitos por este estúdio em todos os tempos: o MIURA P400, desenhado por Marcello Gandini. Miura era uma raça de touro, uma das grandes paixões do fundador da empresa, que lançou muitos automóveis com nomes de raças. A fama da LAMBORGHINI como fabricante de carros espetaculares começava a crescer e conquistar admiradores.Em 1968, o modelo ISLERO 400GT, foi apresentado no Salão de Genebra, com chassi de alumínio, um motor V12 de 320 cv, suspensão independente e freios a disco. O visual surpreendente do modelo Espada (primeiro carro da montadora com capacidade para quatro pessoas) foi outra novidade do mercado apresentada pela LAMBORGHINI. Era baseado no protótipo Marzal do estúdio Bertone e combinava a aparência, desempenho e dirigibilidade de um esportivo com o conforto e luxo de uma perua. O Espada foi um dos carros mais bem sucedidos da LAMBORGHINI. Nos anos 70, o futuro era incerto para a LAMBORGHINI. Sua divisão de tratores fora vendida a Fiat, e ao mesmo tempo, o mercado de automóveis superesportivos andava em baixa por causa das constantes crises do petróleo. Falida a empresa foi entregue a um grupo de investidores suíços, e Ferruccio viveu o resto de seus dias longe de problemas, em uma bela propriedade rural. Ele morreu aos 76 anos de idade em 1993. O modelo Countach, de 1974, foi a última criação da marca sob o domínio de Ferruccio.

No ano de 1977, a montadora desbravava novos caminhos com o lançamento do Cheetah, modelo off-road (fora de estrada) que entrou no mercado dos veículos militares. Quatro anos depois, o LM001, sucessor do Cheetah, começou a ser produzido. Os suíços que passaram a administrar a montadora italiana não demoraram a revender a empresa para o grupo americano Chrysler. A montadora começou então a preparar um motor para equipar carros de Fórmula 1. A estréia nesta competição automobilística ocorreu em 1989, mas nunca alcançou o sucesso esperado.E foi neste tempo que nasceu o superesportivo DIABLO, no ano de 1990. Com um design surpreendente, o superesportivo, mais uma vez, vinha equipado com o motor 4.0 litros V12, chassi tubular, portas que abriam para cima (conhecidas como portas gaivota) e 375 cv de potência. Apesar do sucesso do novo modelo, a Chrysler também começou a viver dificuldades financeiras e, mais uma vez, a LAMBORGHINI teve que ser passada adiante, agora para um grupo da Indonésia, que no fim dos anos 90, se viu em meio a uma grave crise. Novamente parecia que o fim seria inevitável da marca italiana. Aí, aconteceu uma surpresa: a Audi (que atualmente pertence a Volkswagen) comprou a LAMBORGHINI em 1998 e salvou a montadora italiana da falência.


Inicialmente a montadora alemã seguiu produzindo e vendendo o Diablo, mas fazia tempo que a marca não lançava um novo automóvel. No salão de Frankfurt de 2001, exatos 11 anos após a apresentação, o inesquecível modelo Diablo, enfim, ganhou um sucessor: o superesportivo Murciélago. A palavra significa “morcego” em espanhol, mas não tem nada a ver com mamíferos voadores. Murciélago era o nome de um touro tão nobre que, em 1879, foi poupado em uma tourada e transformado em reprodutor. Nos anos seguintes a montadora italiana lançou modelos exclusivos como o Gallardo, o Reventón, e mais recentemente o Aventador, e continua criando superesportivos cobiçados por muitos, mas produzidos para poucos que podem pagar milhões de dólares por suas máquinas indomáveis.
O museu
Inaugurado em 2001, o MUSEU LAMBORGHINI é um espaço que se destina a preservar as preciosidades da marca italiana que nasceu para desafiar a Ferrari. Construído depois que a marca de superesportivos foi adquirida pela Audi, o museu fica localizado ao lado da fábrica, na pitoresca cidadezinha italiana, ou comune, como eles as chamam, de Sant’Agata Bolognese, na província de Bolonha, perto da mítica cidade de Modena, onde fica outra fabricante das mais famosas, a Ferrari. Uma curiosidade: esse pequeno triângulo entre Modena e Bologna é batizado de “Terra dei motori” (Terra de motores).No primeiro piso do museu pode-se encontrar exatamente o primeiro modelo que a empresa criou: o 350 GT. Fabricado entre os anos de 1964 à 1966, esta berlinetta para duas pessoas (2+1, na verdade, mas o espaço para o terceiro passageiro era praticamente inexistente) teve apenas 135 unidades produzidas. Outra jóia da coleção é o 400 GT 2+2, produzido de 1966 a 1968. Com um total de 250 unidades que deixaram a fábrica da montadora italiana, esse belo automóvel, também equipado com um motor V12, mas com 316 cv, conseguia chegar à velocidade máxima de 250 km/h. No mesmo piso também se encontram outros automóveis que marcaram a história da LAMBORGHINI, esses instaurando a tradição de usar os nomes de touros valorosos, conhecidos nas arenas de tourada por sua valentia.
A parte superior do museu é ocupada pelos carros mais recentes da marca, como o GT2 e o Diablo (um dos quais está até pendurado na parede), com seus protótipos, mockups e desenhos originais. Nessa parte é possível apreciar as versões GT, GTR e 6.0 SE, todas já com o dedo da Audi, que resolveu de uma vez por todas os tais problemas de qualidade e confiabilidade que a marca enfrentava. Decorrência dos conhecidos perfeccionismo e disciplina germânica. Ali também estão guardados os veículos de Fórmula 1 que tiveram motores produzidos pela “Casa do Touro” (carinhosos apelido da LAMBORGHINI), como por exemplo, o Lola Larousse de 1989, o Lotus de 1990 e a Minardi de 1993. Outras curiosidades são os motores náuticos da empresa, que, nas palavras dela própria, serve para mostrar que a LAMBORGHINI consegue ser rápida também na água. A entrada para o museu custa cerca de €13.
A Marca 
Ferruccio Lamborghini nasceu no dia 28 de abril de 1916. Era do signo de touro, daí usar o animal como símbolo de sua marca de carros esportivos. O animal está presente, não somente, no logotipo da marca LAMBORGHINI, assim como batiza os modelos produzidos pela montadora desde a década de 60, com o lançamento do MIURA. Depois vieram o DIABLO, MURCIÉLAGO, GALLARDO, AVENTADOR, todos com o temperamento do animal bravio.


segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Harley Davidson

Foi de um simples barracão, com três metros de largura por nove metros de comprimento, e em cuja fachada podia se ler o letreiro “Harley-Davidson Motor Company”, na pacata cidade de Milwaukee, estado americano de Wisconsin, que no dia 28 de abril de 1903 foram produzidas as primeiras três motocicletas da marca. Na verdade uma bicicleta reforçada com motor de 3 HP, batizada com o sobrenome dos seus criadores: o desenhista Bill Harley e o engenheiro Arthur Davidson, dois jovens colegas de universidade que enfrentaram o desafio de colocar um sonho em pé; em pé e rodando; rodando e encantando; encantando e apaixonando. Na verdade, o sonho deles era apenas construir uma motocicleta para poder passear; mas se empenharam com tanto amor e comprometimento que mais que realizar um sonho e construir uma moto, eles criaram, de verdade, uma mística. Como o veículo se mostrou bom, eles construíram mais dois exemplares. Dessas três motocicletas, uma foi vendida por US$ 200 diretamente pelos fundadores da empresa para Henry Meyer, um amigo pessoal deles.
Em Chicago, a primeira concessionária nomeada pela marca, C. H. Lang, comercializou outra das três motocicletas fabricadas. No dia 4 de julho, uma moto HD ganha uma corrida de 15 milhas em Chicago. Enquanto isso, na cidade de Milwaukee, o primeiro trabalhador da empresa é contratado em tempo integral. Depois de conseguir um empréstimo bancário, os jovens empreendedores instalaram uma fábrica no centro da cidade. Assim, em 1906, teve início oficialmente a produção de motocicletas apelidadas de Silent Gray Fellow. O nome provinha de Silent (Silenciosa) devido à condução suave que os amortecedores proporcionavam, Gray (cinzenta) pela sua austera pintura e única cor disponível, e Fellow (amiga), que sugeria uma amizade entre o homem e a máquina, pois a motocicleta ganhou reputação de ser uma companheira confiável na estrada. O nome HARLEY-DAVIDSON MOTOR COMPANY foi adotado oficialmente em 17 de setembro de 1907. Foi também neste mesmo ano, sob a presidência de Walter Davidson, irmão de Arthur, que uma motocicleta HD foi inscrita na primeira corrida organizada pela recém-criada Federação Motociclista Americana. A experiência se mostrou um sucesso estrondoso, pois o próprio Walter bateu os oitenta competidores, que representavam pelo menos vinte marcas diferentes.
Em 1909, lançou o lendário motor V-twin, com dois cilindros em “V” e inclinação de 45º. A fabricação desses motores era simples e muitas outras empresas o adotaram. O design foi um sucesso e passou a ser o motor clássico da marca. Cerca de 1.100 unidades da motocicleta HARLEY-DAVIDSON V-8 foram vendidas. Ainda neste ano, a empresa disponibiliza pela primeira vez as peças de reposição para suas motocicletas. A primeira exportação de motocicletas ocorreu no ano de 1912 para o Japão. Nesta época a empresa já possuía 200 concessionárias espalhadas pelos Estados Unidos. Em 1916, o presidente dos Estados Unidos enviou seu principal general numa HARLEY-DAVIDSON para acabar com as estrepolias de Pancho Villa na fronteira mexicana. Antes de cair nas graças dos estradeiros, a HARLEY-DAVIDSON foi usada como meio de transporte na Primeira Guerra Mundial. Algumas delas eram equipadas com “sidecars” tão sofisticados que possuíam armas automáticas acopladas.
Durante o conflito, a empresa recebeu do exército americano uma encomenda de 20 mil unidades. Nesta época a HARLEY-DAVIDSON já era a maior fabricante de motocicletas do mundo, possuindo concessionárias em 67 países e uma produção superior a 28.000 unidades. Além disso, a equipe de corrida da HARLEY-DAVIDSON, que já era conhecida como “The Wrecking Crew” (“Equipe de Demolição”), se tornou tão dominante nas pistas americanas, daí o nome, que adotou um pequeno porco como sua mascote. Assim que a paz se estabeleceu, a marca voltou às pistas em 1921, e se tornou a primeira equipe a vencer uma prova de velocidade a mais de 100 milhas/hora. Nesta década a empresa introduziu muitas inovações, como por exemplo, em 1925, com o tanque de combustível em forma de gota de lágrima (antes era achatado), conhecido como “Teardrop”, marca registrada da HARLEY-DAVIDSON, além de freio na roda dianteira.
A primeira ameaça foi a crise de 1929. No período da Grande Depressão, as vendas despencaram em 20%, fazendo com que a empresa tivesse que mudar a cor original das motos, o verde oliva, para cores mais atuais, como algumas combinações de duas cores no tanque, ou algumas em sólidas cores art-déco com uma águia pintada, fazendo com que a HARLEY-DAVIDSON se adaptasse melhor ao mercado. Durante a Segunda Guerra Mundial, a empresa forneceu 90 mil motocicletas e sidecars para o exército americano, sendo desenvolvido inclusive um modelo especial para os combates. Quando o conflito acabou, o mercado americano emergiu, depois de anos de retração por causa da guerra, e todos aqueles que haviam lutado se tornaram os principais compradores das HARLEY-DAVIDSON, desejando reviver o espírito da lendária motocicleta como civis. Esses veteranos ajudaram a construir o mito HARLEY-DAVIDSON pilotando suas motos com um forte orgulho americano, que, para alguns, seria a lembrança dos amigos que lutaram com eles lado a lado, mas morreram pela liberdade do país.
Em 1946 foi produzida a WR 750 Flathead que se mostrou uma das melhores motos de competição já construídas. Pouco depois, em 1948, as melhorias nos motores 1000 e 1200, fizeram surgir o lendário “Panhead”, um motor de 74 centímetros cúbicos com válvulas hidráulicas e cabeças de alumínio, que levou a produção a atingir 31.163 unidades. Os anos 50 foram tomados pelo espírito das motocicletas HARLEY-DAVIDSON. Como as máquinas deveriam ser cada vez mais potentes, as motocicletas foram se tornando mais leves, perdendo o pára-lama dianteiro e os acessórios. Os guidões começaram a assumir a forma de forquilha. Um novo modelo, conhecido pelo nome de Chopper, tornou-se muito popular. Nesse momento, as HARLEY-DAVIDSON já eram uma instituição americana, aparecendo em filmes como “The Wild Ones” (O Selvagem), protagonizado por Marlon Brando em sua possante e imperial HD no ano de 1954. Nos anos 60, as marcas japonesas, já reestruturadas, ganharam força em todo o mundo e a HARLEY-DAVIDSON sentiu o golpe da concorrência. A Honda lançou os modelos “leves”, enquanto a Kawasaki e a Yamaha entraram no mercado americano. Paradoxalmente, nesse período, a empresa consolidou sua fama internacional, pegando uma carona nos movimentos alternativos que pregavam liberdade, paz e amor. Elas foram, inclusive, as companheiras de Peter Fonda e Dennis Hopper no clássico filme “Easy Rider” (Sem Destino), onde foi apresentado pela primeira vez o modelo HD CHOOPER.
 
Vivendo uma decadência, em 1969, a já mítica empresa foi comprada pela American Machine and Foundry (AMF), que investiu US$ 60 milhões no aumento de produção, exclusivamente para enfrentar as motocicletas japonesas. Mas, apesar das vendas aumentarem e do governo americano entrar na briga contra as rivais japonesas, taxando a importação de motos, a empresa não saiu do vermelho. A produção, na década 70, passou de 15.000 para 75.000 unidades ao ano, atingindo um volume muito alto, mas deixando de lado o mais importante: a qualidade de seus produtos. As motos chegavam a sair da fábrica já vazando óleo. Um negociante de Nova York conta que era impossível sair do lado leste de Manhattan para o lado oeste sem um kit de ferramentas. A qualidade ficava cada vez pior, mas sua demanda continuava alta, até o crescimento das empresas japonesas, que foram responsáveis pela tomada de grande parte do mercado americano e mundial. Em 1981, uma nova tentativa de salvar a marca: treze funcionários se uniram para comprar a marca da AMF. Entre eles, estavam William G. Davidson, neto de William Davidson, Vaughn Beals e Richard Teerlink. Para celebrar esse acontecimento eles fizeram uma viagem de moto da cidade de York à Milwaukee, sede da empresa. A frase “The Eagle Soars Alone” (A águia voa sozinha) se torna o grito de guerra para celebrar a aquisição.
O passo seguinte foi convencer o governo a impor cotas ainda mais pesadas de importação para as motos japonesas, o que lhes deu tempo suficiente para se reerguer: adaptaram-se aos métodos de controle de qualidade e produção de seus concorrentes japoneses, reinventaram seu processo de fabricação e melhoraram o produto. As coisas começaram a melhorar em 1983, com um pequeno e tímido aumento nos lucros. O futuro se mostrava cada vez melhor, e em 1984 a empresa teve um lucro de US$ 3.9 milhões. Três elementos foram fundamentais para esse regresso glorioso: o lançamento de uma nova versão do motor V-Twin, batizada de Evolution, e o trabalho realizado por Willie G. Davidson à frente do departamento de projeto e responsável pela nova imagem da HARLEY-DAVIDSON. Em 1982, a participação da marca no mercado americano era de aproximadamente 15%; em 1997 chegou a 49%, quando a empresa teve vendas recordes atingindo 132 mil unidades no mundo.O uso inteligente da marca permitiu que a empresa ingressasse em novos mercados, comercializando desde roupas, como as tradicionais jaquetas de couro, botas, luvas até desodorantes, perfumes e acessórios com a grife HARLEY-DAVIDSON. Recentemente, com a crise mundial e a queda vertical das vendas, a empresa adotou a estratégia de focar investimento na marca HARLEY-DAVIDSON, encerrando as atividades da marca BUELL e vendendo a italiana MV Augusta. No início de 2011, após uma longa batalha judicial com o antigo distribuidor, a empresa assumiu oficialmente suas operações no Brasil. Dentre as ações a serem realizadas no país, está o plano de nomeação de novas concessionárias da marca, que atendam às necessidades de seus consumidores, oferecendo uma cobertura sólida e de acordo com os padrões mundiais da HARLEY-DAVIDSON.
 A Marca
 
O icônico logotipo da marca HARLEY-DAVIDSON, chamado de “Bar & Shield”, surgiu em 1908, quando foi usado como um adesivo, fixado na caixa de ferramentas encontrada nas motocicletas HD. O nome Bar & Shield vem do formato do logotipo que é constituído por uma barra (bar) onde está escrito o nome HARLEY-DAVIDSON e um escudo (shield) onde se lê “Motor Cycles”. Um pedido de registro da marca no U.S Patent Office com a data de 30 de janeiro de 1930 alega que o “B&S” foi usado e aplicado constantemente pela empresa desde 6 de maio de 1910. A primeira associação com a cor preta e laranja para o logotipo Bar & Shield data de 1922, quando peças e acessórios receberam embalagens com novo design. A versão atual surgiu somente em 1965, substituindo a versão antiga, bem mais alongada.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Johnnie Walker

A JOHNNIE WALKER tem uma história de determinação que se estende por três gerações de uma família. Cada geração compartilhou da mesma paixão pela fabricação e destilação do uísque. John, mais conhecido como Johnnie, era filho do fazendeiro, Alexander Walker, que morreu em 1819, e o rapaz, então com 14 anos, considerado muito novo para continuar tocando a fazenda da família. Com a venda da fazenda, que rendeu exatamente £537.15, John abriu uma pequena mercearia em 1820 na cidade de Kilmarnock, localizada no oeste da Escócia, no condado de Ayrshire, investindo £417 no novo negócio. O pequeno estabelecimento comercializava chás, vinhos, bebidas e comidas secas, começando a desenvolver uma clientela de alta reputação. Enquanto isso, o mercado de uísque estava mudando no mundo inteiro. As destilarias, muitas delas ilícitas, começaram a se profissionalizar e ele enxergou uma grande oportunidade de ingressar nesse ramo de atividade, começando a destilar seu próprio uísque já em 1825, como uma maneira de oferecer a seus clientes um produto único e consistente.
Utilizando toda sua habilidade, iniciou a produção, vendendo o produto para seus clientes, que logo começaram a exigir um nome para o tal uísque. Foi neste momento que o uísque ganhou o nome de JOHNNIE WALKER. Em 1857, o filho de John, Alexander, assumiu os negócios da família com a morte de seu pai, e continuou desenvolvendo e expandindo a empresa. Pouco depois, em 1860, foi criada a tradicional garrafa quadrada da marca. Em um segmento que utilizava principalmente garrafas redondas, rapidamente o uísque se tornou mundialmente reconhecido: um design emblemático para um uísque emblemático. Nesta época seus uísques eram enviados de navio para várias partes do mundo, e através de um acordo de comissões os capitães se tornaram embaixadores da marca. Em 1865 surgiu o percussor do atual BLACK LABEL, chamado Walker Old Highland Whisky, mediante a combinação de aproximadamente 40 dos melhores maltes e uísques de grãos escoceses, envelhecidos por, no mínimo, 12 anos.
Pouco depois, em 1867, foi criado o tradicional rótulo inclinado, colocado na garrafa a um ângulo de precisamente 24º, muito parecido com o atual utilizado pelo uísque BLACK LABEL. Finalmente em 1876, ele conseguiu registrar como marca, o modelo da tradicional garrafa quadrada e as cores, preto e ouro, das escritas de seu rótulo. No ano seguinte foi a vez de registrar o tradicional rótulo inclinado. Em 1879 a destilaria ganhou sua primeira medalha por seus uísques, em uma competição internacional realizada em Sydney. Logo seus uísques ganhariam medalhas em Melbourne, Adelaide e Paris. Em 1880, a empresa abriu escritório na cidade Londres, por onde exportava seus produtos para o resto do mundo. Nesta época, onde poucas marcas eram distribuídas tão amplamente, a John Walker & Sons já havia estabelecido negócios em Sidney e Paris, além de agentes de distribuição na África do Sul, Estados Unidos e Índia.
Quando Alexander morreu em 1889, deixou o negócio para seus dois filhos, George e Alexander. Alexander ficou responsável pela produção dos uísques e George viajava o mundo estabelecendo uma rede de distribuição. Em 1893 eles compraram a tradicional destilaria Cardhu, garantindo assim o suprimento de maltes excepcionais e mantendo-os longe de seus principais concorrentes. Em 1906 os irmãos Walker já possuíam três uísques no mercado, cada um deles identificado por distintos rótulos coloridos: Old Highland Whisky (envelhecido 5 anos e identificado pelo rótulo branco), Special Old Highland (envelhecido 8 anos e identificado pelo rótulo vermelho) e o Extra Special Old Highland (envelhecido 12 anos e identificado pelo rótulo preto).
Pouco depois, em 1909, os irmãos deram novos nomes a seus uísques em reconhecimento ao hábito de seus clientes de identificá-los pelos rótulos coloridos: era o surgimento oficial do JOHNNIE WALKER RED LABEL e do JOHNNIE WALKER BLACK LABEL. E o resultado destes lançamentos não poderia ser melhor: RED LABEL tornou-se preferência mundial, uma distinção que mantém até hoje. Desenvolvido para um mercado de exportação que busca drinques longos e refrescantes, é a marca que construiu o império Walker e definiu o negócio de uísques. Em 1920, já era possível encontrar os uísques JOHHNIE WALKER em 120 países ao redor do mundo. Nesta década, a tradicional garrafa quadrada se tornou padrão para todos os uísques da destilaria. Em 1934, a destilaria recebeu a primeira Concessão Real, um sinal de excelência, qualidade e reconhecimento. Até hoje a JOHNNIE WALKER é fornecedora da Casa Real Britânica.
Nas décadas seguintes, investiu no setor de distribuição para popularizar ainda mais a marca e seus uísques pelo mundo; e, em 1970, ao comemorar 150 anos de história, criou um exclusivo estojo de presente que continha um raro blend e um sofisticado decantador de cristal, vendido ao preço de US$ 2.000. Em 1986 a JOHNNIE WALKER foi adquirida pela tradicional cervejaria irlandesa Guinness, que em 1997 se fundiria com a Grand Metropolitan para formar a britânica Diageo. No final desta década, para celebrar sua estreita relação com o golfe, foi criado o torneio JOHNNIE WALKER CLASSIC, que teve como primeiro vencedor Nick Faldo. Em 2005, foi criado o programa Keep Walking Club com o objetivo de estabelecer um processo de relacionamento com os consumidores, aumentando a lealdade com a marca e sua frequência de consumo. O resto da história é o sucesso de uma marca que se espalhou pelo mundo, valendo-se da experiência de quase dois séculos de visão e progresso para criar uísques da mais alta qualidade consumidos nos ambientes mais sofisticados e descolados do planeta.
A embalagem dos uísques JOHNNIE WALKER é um dos componentes mais importantes da marca. Porém um produto com mais de 150 anos não poderia mantê-la sem modificações por tanto tempo, e para solucionar esse problema marca está sempre lançando embalagens promocionais, além dos modelos tradicionais. Em meados de 2009, como parte de uma reestruturação, a empresa proprietária da marca JOHNNIE WALKER, a britânica Diageo, anunciou que até o final de 2012 pretende cessar a produção de uísques na histórica destilaria de Kilmarnock, maior empregadora da pequena cidade escocesa. Em um primeiro momento a produção seria transferida para as destilarias de Leven, Fife e Shieldhall.

O andarilho
O famoso ícone da marca JOHNNIE WALKER, chamado de Striding Man, ou andarilho, foi criado em 1908, na mesa de um restaurante. George e Alexander II, netos de John Walker, saíram para almoçar com um talentoso cartunista chamado Tom Browne, pedindo a ele que criasse um símbolo para representar a marca. No verso do cardápio do restaurante o cartunista esboçou o Striding Man, que acabou sendo utilizado em anúncios natalinos já naquele mesmo ano. A tradicional figura, com chapéu de pele de castor, túnica vermelha, calça branca botas de montaria, e monóculo inquisitor, representava com elegância o progresso, pioneirismo e a saga da família Walker.
O símbolo foi redesenhado através dos anos por uma sucessão de grandes artistas plásticos, entre os quais, Basil Partridge, Leo Cheney, Clive Upton e Michael Peters. Sua roupa foi alterada ocasionalmente, mas nunca perdeu o conceito de “continuar andando”, se tornando um dos símbolos publicitários mais reconhecidos no mundo e um verdadeiro ícone da indústria de bebidas alcoólicas. O ícone da marca ganhou sua última reformulação visual acentuada no ano de 2005, quando JOHNNIE WALKER apresentou suas novas garrafas e rótulos. A principal diferença entre o desenho original e o atual foi a alteração no sentido da caminhada. Para reforçar a idéia de “Keep walking” e progresso, a direção foi invertida, acompanhando o sentido de leitura ocidental: da esquerda para a direita. Além desse elemento gráfico dominante, a garrafa quadrada e o rótulo inclinado sempre deram caráter próprio às embalagens de JOHNNIE WALKER. 
 

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Jack Daniel´s

Jasper Newton Daniel, que tinha o apelido de “Jack”, nasceu em 1850, sendo o décimo filho de uma família muito numerosa. Ainda adolescente, aprendeu o processo de destilação e elaboração do uísque com Dan Call, um pastor luterano proprietário de uma destilaria. Dan preparava as bebidas com um sistema que, por meio do carvão vegetal da árvore Maple, levava mais dias para adoçar o uísque. O processo era comum no estado do Tennessee, mas os proprietários ficavam insatisfeitos com a demora e os gastos extras. Comprou a destilaria no ano de 1860 com apenas 13 anos de idade. Logo começou, com a ajuda de seu primo Button, a distribuir uísque em carroças até o Alabama, onde vendiam a bebida aos homens que lutavam na guerra entre os estados (The War Between the States).
Seis anos depois foi o primeiro a registrar sua destilaria, localizada no condado de Moore na cidade rural de Lynchburg, junto ao governo americano, criando a mais antiga destilaria registrada dos Estados Unidos. O produto era vendido em garrafas com tampa de cortiça. Para destingir seus uísques dos demais, Jack colocou um rótulo em suas garrafas, sendo o primeiro relato de publicidade feito por uma destilaria. Durante os anos 1880, a pequena destilaria se tornou uma das maiores no Tennessee e poderia ter se tornado ainda maior se não fosse a recusa de Jack em não moer mais de 99 cestos de milho por dia para evitar que o governo mantivesse um fiscal de renda na destilaria. E assim, apenas 8 barris de uísque gotejava do alambique por dia. Porém, não demorou muito para ver seu uísque ficar famoso no mundo, ganhando vários prêmios internacionais como por exemplo a medalha de ouro na Feira Mundial de Saint Louis, em 1904, competindo contra outros 20 uísques do mundo inteiro.
O destino da destilaria iria mudar em 1911. Sem conseguir abrir o cofre da empresa, com raiva, Jack o chutou. O impacto quebrou-lhe um dedo do pé, contusão que evoluiu para uma septicemia, infecção que o teria levado à morte. Com sua trágica morte, a destilaria foi deixada como herança para seu sobrinho, Lem Motlow. Devido à lei seca instituída nos Estados Unidos - a lei começou dez anos antes no estado do Tennessee e se estendeu por mais alguns anos depois de revogada - a destilaria ficou proibida de produzir seu produto. Para não interromper a produção, ele transferiu a destilaria para as cidades de St. Louis e Birmingham nos primeiros anos da lei seca. Porém, sua intenção de driblar a lei não teve êxito, pois não contava com as águas da nascente de uma caverna perto de Lynchburg, que faziam do produto um uísque único. O jeito foi diversificar os negócios durante o período da proibição, investindo em propriedades e no comércio de mulas. Retomou as atividades em 1938 e produziu o uísque até 1942, quando a destilaria foi proibida pelo governo americano de produzir o produto em virtude da Segunda Guerra Mundial. Quando o governo suspendeu a proibição em 1946, impôs uma cláusula em que a produção só poderia ser feita utilizando grãos de milho de qualidade inferior. Lem Motlow, não querendo baixar a qualidade do uísque, se recusou a produzir até 1947. Com a sua morte nesse mesmo ano, a destilaria passou para as mãos de seus quatro filhos, Reagor, Robert, Daniels e Connor.


Os quatros irmãos aumentaram sensivelmente a produção, nunca perdendo a tradicional qualidade do uísque, utilizando o principal slogan feito por Mr. Jack: “Every day we make it, we’ll make it the best we can”. Nos anos 50, a taxação sobre a bebida estava altíssima, eram pagos US$ 10.50 por barril antes mesmo do uísque ser vendido, levando a destilaria a uma situação difícil. Em 1956, os irmãos resolveram vender o negócio para a Brown-Forman Company of Louisville, que manteve a mesma qualidade que fizeram de JACK DANIEL’S tão famoso no mundo até os dias de hoje, além de expandir a marca para outros mercados mundiais.
O aniversário do criador do famoso Old n° 7 é comemorado todos os anos durante o mês de setembro, quando geralmente a marca lança no mercado produtos e edições especiais. O motivo da longa celebração: não se sabe ao certo o dia exto em que Mr. Jack nasceu, já que um incêndio no cartório de sua cidade, Lynchburg, destruiu todos os registros ali armazenados. Segundo a lenda, a única informação viva na memória de quem o conheceu é que Jack nasceu em setembro, no ano de 1850. Mas, para um ícone americano como ele, um só dia não seria mesmo o suficiente para celebrar.
Atualmente JACK DANIEL’S utiliza os mais refinados ingredientes naturais na sua fabricação: milho, centeio, malte de cevada e água isenta de ferro. Diferencia-se pelo seu cuidadoso processo de elaboração, destilação e envelhecimento, aliado ao clima muito especial do Tennessee. Com grandes diferenças de temperatura entre inverno e verão, o processo de envelhecimento no Tennessee garante uma grande interação entre o uísque e o barril, conferindo ao JACK DANIEL’S sabor e cor mais amadeirados. Jeff Arnett é apenas o sétimo destilador mestre em quse 150 anos de história da JACK DANIEL’S. Natural do Tennessee, Jeff trabalhava para a destilaria desde 2001 em uma série de funções, e foi chamado de destilador mestre em 2008. Ele supervisiona todo o processo de fabricação de uísque, ou seja, moagem, fermentação, destilação, suavização de carvão e maturação.
jóias raras
Além do tradicional JACK DANIEL’S Old No. 7, a destilaria produz mais 2 tipos de uísques da marca: GENTLEMAN JACK Rare Tennessee Whiskey. Lançado em 1988, utiliza os mais refinados ingredientes naturais na sua fabricação: milho, centeio, malte de cevada e água isenta de ferro. Diferencia-se por ser filtrado duas vezes em carvão: uma antes e outra após o envelhecimento, garantindo assim sua suavidade e JACK DANIELS SINGLE BARREL, uísque obtido através de um único barril, que normalmente fica no topo da pilha no armazém de envelhecimento, por 8 anos. Sua receita é guardada em segredo pela destilaria. O exclusivo uísque foi lançado oficialmente em 1997.
A garrafa
Os colecionadores sempre perguntam por que o uísque JACK DANIEL’S, fabricado na pequena cidade de Lynchburg (com pouco mais de 400 habitantes), no estado americano do Tennessee, tem a garrafa quadrada. Em 1866, Jack Daniel engarrafou pela primeira vez o seu uísque em jarros de barro com rolhas de cortiça. Para diferenciá-lo, começou a imprimir seu nome nos recipientes. Em 1870, as garrafas de vidro estavam na moda. Jack seguiu a tendência e começou a fabricar suas próprias garrafas, modelo padrão, com linhas arredondadas e com o nome da destilaria em relevo no vidro. Em 1895 um vendedor que trabalhava na empresa de vidro Illinois Alton Glass Company mostrou um desenho novo e exclusivo de garrafa: quadrada com o gargalo afinado. Jack Daniel gostou do novo modelo e decidiu que seu uísque especial deveria ser vendido em uma garrafa diferente. Desde que foi apresentada, a mais de cem anos, a garrafa quadrada de JACK DANIEL’S virou um símbolo da marca. 

O rótulo
Não se sabe ao certo porque no rótulo do uísque JACK DANIEL’S está escrito Old No. 7 Brand. Muitos dizem que o número 7 significa que somente na sétima tentativa de misturas, Jack conseguiu chegar a fórmula de elaboração de seu uísque. Uma lenda conta que ele escreveu o número sete em 7 barris de uísque que acabaram perdidos, com o objetivo de identificá-los quando fossem achados.
A destilaria
A destilaria mais antiga dos Estados Unidos está situada nas colinas do Tennessee, encravada na pequena cidade de Lynchburg, aproximadamente 120 quilômetros a sudeste de Nashville. Neste local pitoresco, Mr. Jack Daniel instalou sua destilaria em 1866. A maior atração é a visitação aberta ao público, onde é possível fazer uma visita guiada, com duração de 1 hora e 15 minutos aproximadamente, para conhecer a história da marca JACK DANIEL’S através de um completo museu (chamado de Visitor Center, inaugurado em 1999), as principais dependências da destilaria, o processo de fabricação do badalado uísque, além, é claro, de poder comprar lembranças em uma loja fantástica.
A visita termina no White Rabbit Saloon, um espaço que foi reconstruído para simular o bar do qual o próprio Jack Daniels foi um dia proprietário em Lynchburg. O ponto alto da visita é a degustação comentada com o Master Distiller Jeff Anett. É ele o responsável por controlar a qualidade e a maturação de todos os uísques JACK DANIEL’S, supervisionando 77 armazéns e 1.7 milhões de barris. O horário das visitas é das 9:00 às 16:30, todos os dias com exceção do Thanksgiving (Dia de Ação de Graças), véspera e dia de Natal e Ano Novo. Mais de um século depois, cada garrafa de uísque JACK DANIEL’S ainda é fabricada da mesma maneira e no mesmo local. 
  
FONTES: Fortune, Forbes, Newsweek, BusinessWeek e Time), sites especializados em Marketing e Branding (BrandChannel e Interbrand), Wikipedia (informações devidamente checadas) e sites financeiros (Google Finance, Yahoo Finance e Hoovers). http://www.mundodasmarcas.blogspot.com.br


sexta-feira, 29 de junho de 2012

Diesel



A marca DIESEL foi criada pelos italianos Renzo Rosso e Adriano Goldschmeid, este último dono de uma confecção, no ano de 1978 na cidade de Milão. O nome foi escolhido porque a palavra significava exatamente a mesma coisa em qualquer lugar do mundo e podia ser pronunciada da mesma forma em diversos idiomas. Uma indicação clara de criar uma marca de jeans com apelo global. O jeito de simplificar as coisas só deu bons resultados. A marca DIESEL foi oficialmente lançada no mercado em 1979 através de sua coleção masculina. As calças jeans com aparências de usadas fizeram os varejistas pensarem que Renzo era louco especialmente quando deu a esses jeans um preço superior. Mas os clientes pensaram de outra maneira, e a marca DIESEL começou a fazer enorme sucesso, especialmente na década de 80 quando teve um crescimento explosivo dentro do mercado italiano, passando a exportar seus produtos já no ano de 1981.
Em 1985 Renzo Rosso tornou-se o único proprietário da marca ao comprar a parte de seus sócios, se tornando o grande homem por trás da DIESEL. Cinco anos depois os jeans já eram distribuídos em butiques de 36 países ao redor do mundo. Foi deste momento em diante que a marca DIESEL começou um crescimento vertiginoso. A década também foi marcada pela diversificação de sua linha de produtos com a introdução de coleções infantis e direcionadas especificamente para mulheres. Além das tradicionais calças jeans, surgiu toda uma gama de roupa e acessórios extremamente despojados. Em 1991 a marca iniciou sua expansão internacional com o slogan “For Successful Living” (algo como “para se viver de forma bem-sucedida”), inspirado em anúncios da década de 50. Em 1996, o empresário italiano realizou sua tacada mais ousada: ingressou no mercado americano. Instalou sua primeira loja em Nova York, exatamente em frente à maior loja da Levi’s na cidade, em um ato de evidente provocação. O sucesso dos jeans caríssimos e com aparência de anos de uso foi tão grande que o mercado americano tornou-se o maior da marca do mundo.
Esta década foi o período em que a marca DIESEL mais cresceu graças às exportações. Outro fator importante para esse crescimento foi o lançamentos das coleções de óculos e relógios, além dos primeiros perfumes. Além é claro, de seus conhecidos catálogos, extremamente radicais e arrojados. Apesar disso, no final dos anos 90 o hype em torno da DIESEL se dissipou e a marca começou a confundir-se com as concorrentes, perdendo seu diferencial. Rosso reagiu: reduziu a linha de produtos, aumentou os preços das peças, cortou para metade os 10 mil pontos de venda e inaugurou lojas modernas em bairros de classe alta nas principais cidades do mundo. O novo posicionamento da DIESEL fez dos jeans uma peça de luxo e marcas como a Louis Vuitton e Hermés passaram a incluí-los em suas colecções
Recentemente a marca italiana emprestou toda sua criatividade para lançar no mercado, em parceria com a FIAT, a edição limitada do FIAT 500 by DIESEL, que possui revestimento dos bancos e painéis de porta em uma cor escurecida, muito semelhante com a tintura utilizada nas calças jeans, e costuras na cor amarela. As referências à edição especial também aparecem na manopla de câmbio e até no painel. A grife italiana elegeu recentemente seu mais novo diretor artístico, o editor e fundador da revista WAD, Bruno Collin. Sua missão neste momento é criar uma nova equipe de criação para assegurar que a marca continue a levar inovação para seus consumidores.
A DIESEL vende mais de 30 milhões de calças jeans anualmente. O jeans é feito quase que artesanalmente, em um processo que inclui lavagens à mão e água em temperatura controlada. A mão-de-obra é composta basicamente de artesãos: cada costureira da DIESEL ganha o equivalente a aproximadamente R$ 12.000 por mês. Para garantir a pronta entrega para qualquer país, a fábrica deixa à disposição, na Itália, um estoque com cerca de 400 mil peças. Com preços que variam entre US$ 150 e US$ 800 por peça, a DIESEL já deixou para trás, em termos de prestígio, marcas fortes, como a americana Calvin Klein. O sucesso da marca consiste na combinação de criatividade, originalidade, interpretação do futuro, estratégias de comunicação e tecnologia. E muita dose de ousadia, é claro. Sempre atento ao crescimento e a profissionalização do luxo no mundo, Renzo Rosso, vem expandindo seu poder adquirindo marcas já consagradas como Vivienne Westwood Red Label, NY Industry, Dsquared e a belga Martin Margel.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Tommy Hilfiger




TThomas “Tommy” Jacob Hilfiger, um jovem americano descendente de irlandeses, começou sua carreira no mundo da moda em 1969, aos 18 anos, quando ainda era um estudante, com apenas US$ 150 no bolso e 20 calças jeans tipo boca-de-sino no banco traseiro de seu Fusca. O jovem viajava a Nova Iorque para comprar jeans, customizava as peças e revendia aos amigos. Oito anos mais tarde, já comandava uma rede de dez lojas de roupas e acessórios no estado de Nova York, a People’s Place (algo como “um lugar para as pessoas”. Nã demorou muito para começar a desenhar roupas que seus clientes não achavam em outras lojas. A loja se tornou um ponto de encontro de jovens da cidade, e oferecia mais que calças boca-de-sino e camisetas tie-dye (do inglês, “amarrar” e “tingir”, expressão que denomina a técnica de tingimento tão associada à estética dos anos 70), concursos e apresentações de DJs eram constantes.

Na transição de empresário para estilista de moda, em 1979, Tommy se mudou para a cidade de Nova Iorque para se promover e desenvolver coleções próprias. Já na “Big Apple”, o estilista trabalhou para a Jordache durante alguns anos, até fundar a Tommy Hilfiger Corporation, com apoio do empresário indiano Mohan Murjani e outros parceiros, e lançar a marca que leva seu nome, em 1985, com a apresentação de sua primeira coleção de roupas masculinas. O talento do estilista para a publicidade foi decisivo para o sucesso da marca. A primeira campanha custou US$ 3 milhões e rapidamente atraiu o interesse do público e da mídia ao proclamar em um enorme outdoor em plena Times Square, coração de Manhattan, a si próprio como “um dos quatro grandes nomes da moda masculina americana”, ao lado de Calvin Klein, Perry Ellis e Ralph Lauren. Em 1986 as duas primeiras lojas da marca foram inauguradas em Nova York na Avenida Columbus e Los Angeles na Rodeo Drive (Beverly Hills). Em 1989 a marca expandiu a distribuição de seus produtos para o Canadá e Panamá.
Depois de expandir sua equipe de distribuição e linha de produtos, o estilista e seus sócios, Silas Chou, Lawrence Stroll e Joel Horowitz, que compraram a TOMMY HILFIGER em 1989, abriram o capital da empresa em 1992, que nesta época já atingia vendas superiores a US$ 100 milhões. Com o dinheiro conseguido na Bolsa de Valores a empresa começou a diversificar sua linha de produtos e ingressar em novos mercados, como por exemplo, o japonês. Nos anos seguintes, meias, cintos, camisetas, casacos, passaram a fazer parte de sua linha de produtos, que não parava de crescer. Até a metade da década de 90, o perfil de consumidor da TOMMY HILFIGER era semelhante, na época, ao de marcas como Calvin Klein: homens brancos, de classe média e meia idade. Foi quando o estilista percebeu que a imagem de sucesso e elegância de suas roupas, muitas vezes associada à prática de esportes da alta sociedade como iatismo e golfe gerava um grande desejo de consumo em jovens americanos de classes menos favorecidas economicamente. Foi o momento então de reformular a imagem da TOMMY HILFIGER para atender esse público. Essa mudança foi acelerada quando o polêmico cantor de rap Snoop Dogg (na época, conhecido como Snoop Doggy Dog) apareceu vestindo uma camisa TOMMY HILFIGER no Saturday Night Live, popular programa de humor da televisão americana, em 1994. Jovens negros aderiram à moda e as vendas da marca dispararam praticamente da noite para o dia. O fenômeno surtiu efeito até mesmo nas criações do estilista, que percebeu esse nicho e logo passou a desenhar roupas mais largas e casuais para suprir a demanda de consumidores ávidos pelo estilo streetwear (expressão que define a moda nascida nas ruas).
Nesta época a marca começou a inaugurar mais lojas próprias e suas primeiras unidades no conceito de outlet (lojas de desconto). A glória veio em 1995 quando Tommy Hilfiger foi eleito estilista do ano pelo Council of Fashion Designers of America. Nos anos seguintes a marca ingressou na Venezuela, México, Chile, e em muitos países da Europa, além de lançar suas primeiras coleções femininas, que fizeram tanto sucesso quanto a masculina. Nesta altura, a TOMMY HILFIGER, já era uma marca global. E não parava de vender. A marca desembarcou no Brasil somente em 1998, e pouco depois, em 2002, inaugurou uma loja na cidade alemã de Düsseldorf. Nos últimos anos a TOMMY HILFIGER continuou lançando novos produtos e ampliando suas linhas com introdução de outras marcas como H Hilfiger (também conhecida como H by Tommy Hilfiger) e a Hilfiger Denim. Em 2009, Tommy Hilfiger voltou às suas raízes para o lançamento da sua maior loja no mundo, com impressionantes quatro andares, na cidade de Nova York, em plena Quinta Avenida. Além disso, outras unidades são inauguradas no Egito, Bélgica, França, Alemanha e Grécia.
No início do mês de março de 2010, o conglomerado de vestuário Phillips-Van Heusen Corporation, proprietário de marcas como Calvin Klein, BCBG Max Azria, Sean John e Timberland, comprou a marca TOMMY HILFIGER em um acordo de aproximadamente US$ 3 bilhões. Ainda este ano, uma das ações comemorativas dos 25 anos da marca foi o lançamento de um novo perfume, o Loud, com versões para homens e mulheres. Seu nome – do inglês, “alto” ou “barulhento” – tem tudo a ver com uma de suas principais fontes de inspiração, a música. Afinal, ao longo desses anos a marca já vestiu artistas de todos os estilos, como Lenny Kravitz, David Bowie, Britney Spears, Mark Ronson, Gwen Stefani, Usher e Destiny’s Child.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Carolina Herrera


A estilista Maria Carolina Josefina Pacanins y Nino de Herrera Guevara, conhecida como Carolina Herrera, nasceu em 8 de janeiro de 1939 na cidade de Caracas, Venezuela, filha de um casal, descendente de uma família aristocrática venezuelana. Quando tinha 13 anos, a avó levou-a a uma viagem à Paris, onde descobriu o estilista espanhol Cristobal Balenciaga, que lhe serviria de inspiração no seu trabalho.
Aos 25 anos, começou a trabalhar como Relações Públicas na Casa Pucci, na Venezuela. Conheceu então Maria Teresa Herrera, mãe de Reinaldo, um editor da revista Vanity Fair, com quem se casaria em 1968. Após ter, durante anos, feito parte da lista das mulheres mais bem-vestidas dos Estados Unidos, em setembro de 1980, apresentou como teste seu primeiro trabalho.
Muito bem recebido pela crítica, conseguiu o apoio de um investidor venezuelano, Armando de Armas, para fundar uma empresa no ano seguinte. Nessa altura, mudou-se permanentemente com a família para Nova Iorque.
Estabelecida na cidade, foi somente em abril, que ela apresentou oficialmente sua primeira coleção prêt-à-porter no Metropolitan Museum, com sobreposição de tecidos diferentes em comprimentos variados, e logo conquistou clientes importantes, entre as quais a rainha dos cosméticos Estée Luader e Jacqueline Kennedy Onassis, que encomendou a Carolina Herrera o vestido de casamento de sua filha Caroline. Imediatamente grandes lojas de departamento compraram suas roupas.
Fez com facilidade a transição para os modelos mais enxutos de meados da década de 80 e tornou-se famosa por suas elegantes roupas para o dia e para a noite.
Carolina Herrera começou também a fazer coleções de vestidos de noiva, mas foram os perfumes que contribuíram para divulgar o seu nome no mundo inteiro. Isto aconteceu em 1988, quando a empresa espanhola de perfumaria Antonio Puig criou o famoso perfume feminino CAROLINA HERRERA. A partir deste momento a estilista construiria um verdadeiro império que se consolidou com lançamento de sucessos como o Herrera for Men, primeiro perfume masculino da marca, inspirado nos dois homens com principal participação na vida da estilista, o marido Reinaldo Herrera e o pai Guillermo Pacanins, lançado em 1991; e o 212, uma das fragrâncias de maior sucesso da grife, inspirada num estilo vanguardista nova-iorquino e lançada em 1997. Seus primeiros perfumes se transformaram, em menos de uma década, em verdadeiros clássicos do mundo das fragrâncias e continuam atuais como no dia de seus lançamentos.
Depois vieram os acessórios (malas, sapatos, artigos de pele, lenços), a roupa de senhora e a mais recente novidade, a coleção para homem. A primeira loja da marca CAROLINA HERRERA abriu somente no ano de 2000, na célebre Madison Avenue, em Nova Iorque. Nos anos seguintes a marca introduziu produtos em inúmeros segmentos, inclusive uma segunda linha de roupas e acessórios com preços mais em conta. Em 2008, a estilista e sua filha Carolina Adriana (responsável pelo bem sucedido 212, a primeira fragrância de sua criação) participaram de um jantar em comemoração aos 20 anos da primeira fragrância de sua grife, realizado na Casa Fasano, em São Paulo. A celebração foi acompanhada por uma mostra de vestidos e perfumes lançados pelas marcas Carolina Herrera e CH Carolina Herrera.
A estilista explicou o por que da escolha do Brasil, e principalmente São Paulo para essa celebração: “Escolhi lançar a exposição em São Paulo, porque o perfume tem sido um hit (de vendas) aqui por 20 anos”, disse a venezuelana. A exposição ocupava a primeira sala do espaço, alugado para eventos de luxo. Textos contavam a história de cada fragrância, com sua inspiração e descrição das notas, ao lado de pôsteres das campanhas publicitárias, dos produtos em suas diferentes embalagens ao longo dos anos.

A criação da primeira fragrância
O perfume nasceu de um encontro social em Nova Iorque, cidade eternamente ligada à designer. Caminhando entre convidados, Carolina Herrera passou perto de Don Mariano Puig, Diretor da empresa de perfumaria espanhola Antonio Puig, que percebeu um aroma de grande personalidade e perguntou a sua origem.
Ela explicou que não se tratava de nenhuma fragrância, senão de um resultado experimental com óleo e essências de jasmim e nardo (cravo), flores muito presentes em recordações de sua vida na Venezuela. Dois anos depois, a difícil tarefa de traduzir um universo emocional em uma fragrância resulta no lançamento do primeiro perfume Carolina Herrera.
A nova musa dos perfumes
A filha da estilista, Carolina Adriana Herrera, começou a trabalhar com a mãe em 1997, depois de ter estudado Bioquímica e biologia em Nova Iorque. A oportunidade de se envolver na área dos perfumes surgiu por acaso, quando em um verão lhe pediram ajuda para desenvolver um aroma, nascia, então, o 212 que, dois anos depois, chegaria na versão masculina para, em seguida, dar início a uma completa linha de produtos.
A jovem participou desde então do desenvolvimento dos aromas, das embalagens, imagem e conceito dos perfumes, que têm sido a “bandeira” da marca por mais de 20 anos. Ela costuma dizer “que o sucesso dos perfumes CAROLINA HERRERA resultam da combinação do aroma, de quem o vende e do marketing”. Todos os perfumes têm uma imagem ou uma identidade: uma idéia do que é a mulher que o usa.

A marca no mundo
Atualmente os produtos da marca CAROLINA HERRERA são vendidos em mais de 100 países ao redor do mundo através das mais badaladas lojas de departamento e lojas especializadas. A grife conta ainda com três lojas âncoras, localizadas em Nova York, Los Angeles e Dallas. Além disso, a marca CH CAROLINA HERRERA possui quase 50 lojas em países como Estados Unidos, Brasil, Argentina, Venezuela, Espanha, Colômbia, Emirados Árabes, Panamá, Portugal e Suíça.
Carolina Herrera 212 POP.
Carolina Herrera, por muitos considerada a mulher mais bem vestida do mundo e uma das designers de moda mais respeitadas e influentes nos circuitos da moda, tem novos perfumes para 2011.
Seguindo a linha de perfumes 212 já conhecidos pela sua excelência e tornando cada vez mais o original 212 num clássico ao estilo do Chanel nº5. Carolina Herrera lança este ano o 212 POP.
Já no ano passado a estilista lançou o 212 ICE, e o perfume já tem diversas variações como o 212 VIP e o 212 SPLASH. Normalmente Carolina Herrera lança anualmente edições limitadas do original de 1997.

Desta vez o 212 Pop é uma fragrância inspirada na Pop Art e tem as versões feminina e masculina. A fragrância feminina é pensada para mulheres jovens, cosmopolitas e com estilo. Uma fragrância floral, com notas de flor de laranjeira, mandarina, gardênia, camélia, madeira e Almíscar branco.
O 212 POP para homens é também para homens confiantes, cosmopolitas e com estilo e seguindo a tendência das fragrâncias masculinas deste ano em que prevalecem as notas de madeiras, notas verdes e cítricas, relva cortada de fresco, especiarias, pimenta verde, gengibre, gardênia, sândalo e almíscar.